Desenvolvedor JavaScript — do Brasil à Europa

Estudando ingles no Brasil

Fala galera, tudo certo? Depois de um grande hiato nesta série (e um projeto freelance entregue), anuncio aqui que voltamos com a nossa programação normal (assim espero 🙌).

No post de hoje, falo de como eu comecei a estudar inglês ainda no Brasil e conto como foi as minhas experiências com algumas escolas de idiomas.

Então prepara tua bebida cafeinada e vem comigo.


Acredito que assim como a maioria das pessoas que estão lendo esse post, meus primeiros encontros com a entidade “Inglês” foi com algum joguinho na infância.

Se você está acompanhando a série, já sabe que eu fui um garoto dos games (video game > brincar na rua) e foi nessa situação que eu comecei a sentir aquela sensação: “Nossa, queria entender o que está escrito aqui”.

Pokemon Red

No ensino fundamental, eu tinha vários amigos que já falavam e compreendiam bem o idioma, entretanto, isso vinha muito da educação que os país deles davam.

É meus caros, isso conta muito. Infelizmente minha mãe não teve grandes níveis educacionais e tão pouco tinha dinheiro sobrando pra me colocar desde criança em uma escola de inglês. Logo, eu só tinha acesso ao inglês da escola mesmo, o que a gente já sabe que não é lá essas coisas.


O primeiro curso: FISK

Logo Fisk

Com mais ou menos 14 ou 15 anos, minha mãe (guerreira demais), fez um esforço depois de eu tanto encher a paciência dela pra me matricular em uma escola tradicional de inglês chamada Fisk.

Não era nem de longe a melhor escola de inglês, mas tinha um custo/benefício interessante e o mais importante, cabia no bolso dela!

Nos primeiros meses de aula eu já consegui ver uma evolução grande, afinal, havia saído do quase 0 para 1. Entretanto, depois de alguns meses acordando cedo aos sábados, eu comecei a me sentir incomodado sem saber o porque.

Hoje eu consigo ver que naquela situação, o que mais me fazia ficar frustado era a metodologia tradicional utilizada, a velha estratégia de turmas de 15, 20 alunos sentados em fileiras e ouvindo alguém explicar sobre algo.

Depois de adulto eu entendi que esse método de ensino extremamente ineficaz para muitas pessoas (inclusive pra mim), independente de onde ele é aplicado.

Meu maior problema era que não tinha nada muito prático pra colocar a mão e tentar. Talvez em um curso de idiomas seja mais difícil de criar metodologias diferentes, mas o fato de ficar assistindo aula me cansava.

Outro ponto que eu detesto é o desnivelamento das pessoas do curso. Às vezes eu entendia o assunto e queria avançar logo, mas o professor precisava regular pra baixo a turma, porque haviam pessoas com mais dificuldade.

E que fique claro que eu não me acho mais inteligente e/ou mais especial que ninguém. Cada um tem uma forma de aprender/entender um determinado assunto, alguns mais rápidos, outros mais devagar e isso é extremamente normal. Mas como tudo é muito engessado, quem já entendeu precisa ficar revendo algo que já entendeu, o que é desestimulante demais.

Aliado a essa questão, ainda havia minha habilidade nata de ansiedade e personalidade de enjoar das coisas quando não vejo mudanças rápidas. E mais a frente vocês verão que esse padrão se repete várias vezes.

Depois do 8 mês eu já não queria mais frequentar aquele lugar, acordar cedo nos sábados, eu queria ser livre e jogar Tibia, caramba!

Com muito esforço, consegui concluir 1 ano de curso e posso dizer que foi uma bela introdução ao idioma, afinal, já conseguia não me sentir analfabeto ao me deparar com algo em inglês


Pausa, motivação e (re)começo

Fiquei pelo menos 3 anos sem estudar muita coisa, apenas tentando ler algumas músicas, ler uns diálogos em alguns jogos, estudando o mínimo pra passar na escola, que basicamente se resumia em decorar verbos irregulares e saber o verbo “to be”.

Nunca gostei muito de estudar. Tinha uma preguiça imensa e nunca consegui ver qual era o real benefício em faze-lo. Entretanto, depois de passar algumas situações onde eu me sentia burro, a minha sede por conhecimento começou.

Eu comecei a ler mais, estudar sobre diversas coisas que eu não tinha interesse antes, comecei a questionar sobre as coisas que eu acreditava, tive crises existenciais, ansiedade por chegar em perguntas que estão sendo perguntadas há milhares de anos e descobrir que ninguém ainda conseguiu responder.

Enfim, comecei a ser tomado pelo espirito ragatanga do conhecimento e comecei a finalmente entender que a única coisa que a gente tem e leva pra vida toda é o conhecimento adquirido.

Para além de tudo isso, sentia a necessidade de me tornar um profissional melhor, ganhar mais dinheiro, ter um trabalho que me exigisse mais esforço cognitivo e menos braçal e comecei a procurar sobre o mercado e o seu comportamento.

E uma dessas pesquisas, me deparei com um dado mostrando que no geral, brasileiros que são proficientes em inglês tem mais oportunidades de empregos e ganham mais quando comparados com outros do mesmo nível, mas que não sabem inglês.

Então, me fiz a promessa: AGORA ERA PRA VALER!

Pokemon, VAI!
Pokemon, VAI!

Em busca de novas opções

Focado em me tornar um profissional mais competitivo, fui atrás das melhores opções na minha cidade em termos de aprendizado de idioma (e que coubessem no meu bolso, claro).

Foi então que me deparei com uma escola chamada The House.

Mascote The House

A metodologia usada lá é chamada de mnemotecnia, que segundo o site deles:

[..] é uma técnica de memorização através de condicionamento.[…]

Em outras palavras, é você se expor demais ao idioma e evitar traduções, mas sim, assimilação, por exemplo:

Casa <-> House

A gente sabe que isso é uma casa, segundo a técnica, é mais eficaz você ver associar essa imagem à palavra “House” do que fazer: Imagem > “House”.

Nessa ótica, é fácil prever que a partir do momento que você entra na escola até o momento que sai, tudo funciona em inglês.

Era estritamente proibido conversar em português e aqui preciso dizer que isso é MUITO desconfortante pra que não tem muita familiaridade com idioma e/ou é muito tímido, mas faz todo sentido.

Eu nunca fui o extremo da timidez, porém, sempre tive (e ainda tenho) traços do mesmo, principalmente quando eu não sinto que estou preparado para determinada situação.

Então, na minha cabeça, eu não estava preparado para fazer tudo em inglês, logo eu ia pra aula e conversava o mínimo possível com as pessoas, pra não sentir que estava falhando miseravelmente.

Pré-aula

Como eu disse anteriormente, essa escolha tinha um método de memorização especial. Assim como várias outras escolas, eles tinham um material próprio que contava alguma historinha e explicavam a gramática da língua em cima disso.

Para cada diálogo, havia uma faixa de audio no saudoso CD (RIP) que era a versão narrada por nativos do idioma do diálogo em questão.

Assim, os exercícios consistiam nas seguintes etapas (1 etapa para cada dia):

  1. Ler 5 vezes o texto;
  2. Ouvir 5 vezes o audio;
  3. Ler o texto junto com com o audio 5 vezes;
  4. Ouvir o audio e ler o texto em voz alta;
  5. Ouvir o audio e tentar repetir sem ler o texto.

Feito esses exercícios, você estaria preparado para o que eles chamam de aula Mestra, ou seja, aula do capítulo.

Além desta aula, haviam outras bem interessantes como a de speaking, onde a professora jogava um tema na mesa e nós alunos deveríamos tentar debater sobre aquilo da melhor forma. Obviamente o docente estava ali para guiar e ajudar quando necessário.

Outra aula bem legal mas uma das mais difíceis era a aula de Pronuncia. Sabe quando você pega um dicionário de inglês e tem uns símbolos malucos ( /ˈteɪ.bəl/)? Então, isso é a forma com que se pronuncia a palavra.

Isso significa que se você aprende o som de cada símbolo ou conjunto de símbolos, ao bater o olho nessa representação, mesmo sem nunca ter ouvido a pronúncia correta da palavra em questão, você saberá como se fala. Massa né?

Além dessas aulas, também tinham aulas que eram tipo um quiz, outras de música, outras de vídeo, e uma das mais importantes, aulas de reforço para caso você sentisse dificuldades em alguma coisa.

Posso afirmar com toda certeza que foi um período onde eu aprendi muito, mas ao mesmo tempo, sofri com o meu velho problema de consistência e falta de vontade de continuar em frente.

Mais uma vez, desanimado

Téééedio
Téééedio

Apesar de estar muito empolgado nos primeiros meses estava super empolgado, o fato de aprender algo novo significa se sentir desconfortável, e, depois de um tempo, isso começa a te gerar vontade de procrastinar.

Um dos meus maiores defeitos é sempre me cobrar a perfeição. Até parece clichê né? “Qual seu maior defeito?”, “Sou perfeccionista”. Mas isso é muito sério. Eu sou do tipo de pessoa que se eu não sinto que eu domino a situação, eu tenho pouca ou nenhuma coragem de fazer o que precisa ser feito. E isso, até os dias de hoje em? Todo dia um trabalho constante.

O fato de ter esse defeito muito forte, me fazia (e faz) evitar as situações onde eu não tenho domínio ou tenho sérias dificuldades, consequentemente, reduz drasticamente a minha empolgação com aquilo.

Diferente de muitas pessoas que ficam empolgadas com algo extremamente novo e desafiador, eu fico muito ansioso, desconfortável e com vontade de adiar o máximo que eu conseguir.

Isso com certeza foi um grande atraso, pois, nas aulas de conversação por exemplo, eu tinha medo de falar alguma coisa errada e parecer burro, logo, já da pra imaginar que eu quase não abria a boca né?

Para além disso, outro ponto que me fez desanimar é o método dos exercícios pré aula. Esse lance de repetir 5 vezes todos os dias era sim muito eficaz, mas matava meu interesse em fazer aquilo. Toda vez que eu lembrava que tinha que fazer, me dava aquela vontade de procrastinar e assim o fazia. O que acabou prejudicando meu desempenho com o passar do tempo.

Por fim, finalizei o primeiro livro com maestria e o segundo totalmente nas coxas. Mais uma vez, resolvi trancar o curso e dar um tempo pra cabeça.


Terceira tentativa, agora vai?

Fiquei na várzea por mais alguns anos. Nesse momento já tinha conseguido o meu emprego do técnico em suporte e já estava ganhando mais do que nunca ganhei. Mas eu sentia que precisava fazer uma coisa que poucos ali faziam, saber esse inferno desse inglês.

Mas agora, a chama daquele velho sonho de morar fora começava a arder. Nesse momento eu já estava fazendo alguns investimentos financeiros a fim de tentar um intercâmbio em alguns anos.

Voltei a pesquisas sobre escolas de inglês, metodologias, plataformas e etc. e me deparei com a EnglishTown (English Live agora). Bom, eu já havia entendido que o meu foco de aprendizado é videos e coisas online, onde eu consigo sentar e fazer por mim mesmo, no meu ritmo, pensei ser uma excelente ideia.

Decidi que iria tentar! Fiz a assinatura e comecei os estudos.

No começo foi divertido, mas logo eu comecei a notar que não havia me identificado muito com a metodologia deles. Havia uns videos e uns exercícios pra fazer em cima daquele video e algumas explicações BEM superficiais dos porquês e como eram montadas as frases.

Comecei a ficar extremamente incomodado com quão razo era aquilo tudo e logo nos primeiros meses eu havia entendido que havia feito a maior burrada em assinar.

Havia aulas com um professor, na qual eu nunca senti vontade de fazer. Era um chat com várias pessoas na sala, só o professor falando e você tinha que apertar um botão que representava um “Levantando a mão pra perguntar” e então você falava alguma coisa.

Naquele momento eu entendi que o ensino de línguas não consegue ser tão bom online, da mesma forma que um curso de JavaScript por exemplo consegue ser.

Por fim, percebi que estava pagando sem nem entrar na plataforma e resolvi cancelar. Uma grande dor de cabeça também, pois, eles fazem o possível e impossível pra atrapalhar esse cancelamento. Um amigo meu da empresa estava interessado em tentar e eu (por muita sorte minha) consegui passar pra ele a minha assinatura.

Mais uma vez, ao relento!


Quarta tentativa, agora vai!!!1

O ano era 2015. Já de saco cheio daquela vida, daquele emprego, de não conseguir uma chance pra trabalhar com desenvolvimento… de saco cheio de tudo.

Comecei a refletir sobre o que eu poderia fazer pra mudar. Como me colocar em posição de destaque em frente ao mercado de trabalho. Como ser diferente da maioria? Como me destacar?

Eram perguntas feitas diariamente quase como um ritual. E como resposta, só me vinha na cabeça: estudar… estudar… estudar… mas estudar o que? Todo dia eu estudava programação e eu sentia uma pequena evolução em cada novo código ou novo projeto, mas, seria o suficiente?

Então, como um bom observador que sempre tentei ser, comecei a notar nas newsletter sobre tecnologia, nas video aulas, nas palestras de eventos, que além da constante DESENVOLVIMENTO (claro), havia uma outra constante: o inglês. E é fácil notar isso seja em uma nova tecnologia que saiu e a documentação oficial é em inglês, ou seja em um video tutorial que o código do cara é inglês, um slide de palestrante brasileiro escrito em inglês, enfim, ele nos cerca e é indiscutível.

Apesar de parecer óbvio, é muito difícil você mensurar o valor de algo sem estar apto a enxerga-lo. Em outras palavras, quando nós ouvimos: faça atividade física, pois faz bem pra saúde, isso fica em um campo muito abstrato, onde, depois que você começa a tentar e ver na prática o valor que aquilo tem, você pensa: “Eu deveria ter começado isso antes”.

Bom, novamente nesse impasse, mas agora, decidi que colocaria meu intercâmbio (no qual terá um post só sobre isso) em ação de verdade, e uma de suas parte era saber pelo menos um pouco do idioma antes de chegar lá, pra pelo menos não passar fome.

Como ouvinte assíduo de podcasts, certa vez me deparei com um programa com o Flávio Augusto, dono do Orlando City, falando sua escola de inglês, no qual o público alvo são adultos, que tem pressa de aprender e não conseguem esperar 10 anos em um curso de inglês pra isso.

Cai no bait, fui atrás para ver como era.


WiseUp

Logo WiseUp

Corri atrás pra ver se tinha WiseUp na minha cidade e para minha surpresa tinha!

Entrei em contato com a unidade e eles agendaram um dia para um representante ir até minha casa e conversarmos a respeito da escola, método e propostas.

No dia combinado, o recebi e começamos a falar sobre a vida, objetivos, sonhos e onde o inglês entra nisso tudo. No decorrer da conversa, senti que estava rolando um jogo de entrevista e instigação da parte dele pra me fazer ter certeza que eu queria ser aluno, como aquele jogo de sedução onde você tenta convencer a pessoa que ela que deveria estar interessada em você, e não o contrário (foi engraçado).

Expliquei pra ele minha motivação, meus anseios e depois de ele sentir que eu seria um bom aluno (que coisa, não?), recebi uma proposta de valores. Lembro que o valor inicial era algo bem absurdo, mas com certeza já estava nos planos (malditos vendedores). Dei aquela reclamada e ele fez uns “descontos mágicos”. Fechamos contrato.

Não sei se é ético ou não falar sobre valores, mas talvez gere curiosidade em quanto ficou esta brincadeira. O contrato era de 18 meses no valor R$ 330,00 mensal + 18x R$ 163,00 do material. Bem salgado, entretanto, é o que eu sempre ouvi e adotei como lema: “Educação não é gasto, é investimento”, se cabe no seu bolso e a expectativa em termos de qualidade for atendida, só gerou valor.

Passado as partes burocráticas, agendaram pra mim um teste de nível pra saber qual turma eu iria me encaixar. Até então, eu achava que era intermediário, afinal, eu já havia estudado antes, já conseguia ler alguma coisa, escrever, apesar das dificuldades verbais.

No dia do teste, fui entrevistado pelo coordenador educacional da escola. Ele me perguntou (em português) qual era minhas ambições para com o inglês e então pediu pra eu me apresentar em inglês.

Parecia uma tarefa simples, só uma apresentação… mas… comecei a ficar “neuvoser” e simplesmente esqueci como montar as sentenças mais básicas da maneira correta. Mesmo assim, dei o meu melhor.

Ainda rolou algumas perguntas para eu dissertar sobre algum assunto (no qual eu não me lembro), e o desastre continuou. Depois de terminar, ele virou pra mim e disse:

“Então, eu vi que você já tem uma pequena base, e até poderia te colocar no intermediário, mas, acredito que você vá sofrer muito lá e isso pode te desmotivar logo cedo. Então, quero sugerir pra você voltar alguns níveis, fortalecer sua base para daí então indo subindo de nível sem problema.”

Bom, só pude concordar, afinal, aqueles minutos me mostram estava bem ruim.

Os níveis iam de 1 a 3 no Básico, intermediário e avançado e eu, cai no básico 2, apenas 3 meses na frente de quem começa sem noção nenhuma no idioma! ._.

Metodologia

Como toda escola de idiomas, ela tinha uma metodologia própria, na qual eu gostei bastante e é muito utilizada nas escolas e universidades países desenvolvidos a fora: estudar e fazer exercícios da aula que você vai ter na próxima semana ANTES de ter a aula.

O motivo no qual eu sou adepto dela, é que você aprende a estudar ativamente, e não reativamente, ou seja, você vai atrás da informação e o professor tem o papel de “fixador” e “esclarecedor” das informações, afinal, quando você assiste aula, você já sabe do que se trata, apenas lapidando o seu conhecimento. Material

O material deles é muito bem pensado. É baseado em um formato de série, porém, 100% autoral. Cada livro é “uma temporada” dessa série, e cada temporada, possui 2 personagens, no qual você escolherá um deles para seguir a narrativa e fazer os exercícios.

Ao trocar de temporada, troca-se também os personagens, gerando novas narrativas.

Os vídeos são hosteados em uma plataforma própria deles web. Assim, a primeira atividade do capitulo era assistir o episódio da série e depois responder perguntas sobre o episódio para confirmar o seu entendimento. Também havia exercícios, de fixação como um jogo da memória, flash cards e várias outras atividades com o vocabulário aprendido.

Dinâmica da Aula

A aula era bem interessante também. Um dos pilares da metodologia, aprender ajudando, ou seja, aprender ensinando. Assim, tínhamos aulas com pessoas de diferentes níveis, por exemplo, turmas do básico 1, 2 e 3 juntas e no máximo 10 pessoas por sala e obviamente, 100% em inglês.

Você pode estar se perguntando:

Mas, se os 3 níveis aprendem coisas diferentes mas tem aula juntos, como funcionava pro professor explicar os diferentes matérias?

Então, basicamente o professor tocava as atividades das 3 partes do livro juntas, ou seja, ele fazia a do nível 1, depois a do 2 e a do 3. Isso era até legal quando você tava em nível abaixo, pois, era possível ter uma palinha do que estaria por vir. E caso você estivesse em níveis acima, conseguia revisar alguma coisa que ainda não tinha fixado.

Como são apenas 18 meses e o foco é em aprender a se comunicar, a maior parte das atividades eram orais, o que era bom e ruim ao mesmo tempo, afinal, era a hora de passar vergonha, mas também era a hora de se desafiar e desenvolver a maior dificuldade do brasileiro, a prosa em inglês.

Uma coisa que me incomodava e sempre me incomodou é fazer exercícios em dupla, trio, grupo. Não pelo fato de eu não saber trabalhar em time, porque diferentemente do seu trabalho, onde se o seu colega de equipe não produzir ele pode ser mandado embora, as vezes as pessoas em um curso estão ali por estar.

Então as vezes eu caia com alguém que queria aprender e estudar, mas tinha vezes que eu saia exausto da aula, pois minha dupla era alguém que simplesmente nem queria estar ali, parece que era obrigado.

Além disso, a questão de ter aula com pessoas de diferentes níveis tinha o seu ponto ruim também. As vezes o tédio reinava, pois, em um aluno do básico 3 por exemplo que está quase no intermediário e um aluno do básico 1 que não sabe nada, existe um abismo, e o professor precisa dar uma passada por ali. No começo, é difícil ter autonomia.

Mas no geral, eu gostava muito da dinâmica, foram momentos divertidos e eu pude conhecer bastante gente legal.

Provas

A cada 3 meses, acontecia uma prova pra subir de nível. Lembra do foco do curso? Conversação? Então, apesar de ter uma prova de redação e outra de gramática, o teste mais importante era a conversação.

Ele acontecia em dupla, onde, recebíamos dois roteiros para escolhermos um entre eles, cada um com 5 ou 6 falas para cada aluno com perguntas e respostas de um diálogo com estruturas pré-prontas, para que simulássemos um diálogo daquele roteiro. E óbvio, não era só ler, precisava parecer natural, e pra isso, carecia de improvisos.

O professor ficava no canto da sala fazendo anotações individuais, enquanto os dois alunos conversavam em inglês. Momentos de pura tensão.

No fim, as notas de todas as provas eram somadas, junto com a sua presença, participação de aula e atividades entregues, gerando um score final. Dado essa pontuação, o professor dizia se você poderia subir de nível ou não. O que fazia muito sentido, pois, as vezes você não se dedicou tanto naquele trimestre e realmente não estava pronto pra ir pra frente.


Trancando o curso… mais uma vez.

Como eu comentei anteriormente, eu já tinha dado o start nos meus planos pra fazer meu intercâmbio e o inglês era um dos objetivos a serem concluídos.

Fiz mais de um ano do curso, e consegui ir do básico 2 para o intermediário 3, parando antes de subir pro avançado.

Lembra de quando eu disse anteriormente sobre você só saber o valor de um conhecimento ou coisa quando você vive ela? Então, naquele momento, eu finalmente havia sentido um gostinho dos benefícios de ser bilíngue. Já conseguia assistir um filme com legendas em inglês, conseguia assistir alguns videos no youtube em inglês sem legenda e isso valeu todo o esforço mental e financeiro que eu havia feito até então.

Mesmo vendo todos esses benefícios, já estava bem desanimado nos últimos meses. Mas, eu estava animado com outra coisa: meu intercâmbio.

Em outubro de 2016 eu havia tirado férias do emprego. Nessas férias, estudei muito desenvolvimento e tomei uma das decisões mais importantes da minha vida, fazer o meu intercâmbio acontecer em dezembro ou no começo do ano seguinte.

Assim, pra conseguir levantar essa grana (que não é pouca), eu tive que parar com inglês, afinal, eu já ia estudar lá e não fazia mais sentido ficar gastando dinheiro com isso no Brasil.

Cancelei o curso, paguei algum dinheiro pela quebra do contrato, mas, no fim das contas acabou compensando. Devolvi os livros que não usei e cancelaram a cobrança.

Apenas reforçando, os por menores do meu intercâmbio estarão em um post separado, segura a ansiedade e curiosidade! :P

Em Fevereiro de 2017 eu estava embarcando para a Irlanda, mais especificamente Dublin, pra ter essa experiência internacional e tentar de uma vez por todas concretizar minha proficiência no tão sonhado INGLÊS!