Inglês na área de TI é obrigatório?

Reflexões, cenários e dicas de estudo

Sempre que eu vejo alguém perguntando nas comunidades sobre o quão importante é saber inglês para um profissional da área de Tecnologia da Informação, raramente temos um consenso.

Mas um discurso sempre me chama atenção, e que é título de vários artigos sobre esse tema, é o:

“Antes de aprender qualquer linguagem de programação, aprenda inglês.”

Antes de explicar porque eu sou contra essa afirmação, vamos tentar entender seu contexto, porque algumas pessoas acreditam nisso e tentar refletir sobre como funciona a nossa área em termos de comunicação.


Inglês, o idioma universal da TI

Em cada área de estudo ou profissão, existe um idioma que se você souber, você poderá consumir o conteúdos referência direto da fonte. Em outras palavras, você poderá ler e estudar os materiais que são usados como base ou referência por outros artigos, livros, palestras e etc.

Em filosofia moderna por exemplo, há muito conteúdo de referência em Alemão. Já em ciências sociais, uma das grandes referências são conteúdos franceses, ou seja, saber francês pode te colocar em uma posição de destaque.

Mas e pra área de tecnologia?

Bem, parece claro e senso comum que na área de TI, esse idioma é o inglês.

Inglês... inglês pra todo lado.

E isso é uma realidade indiscutível.

Você pode lançar uma nova tecnologia inovadora e open-source, porém, se o site ou até mesmo o README.md não estiver em inglês, seu alcance será SEMPRE limitado.

E isso vale para qualquer língua ou povo no mundo. Se um(a) dev da China por exemplo criar uma biblioteca bala de prata, foda mesmo, mas a documentação estiver em chinês, é quase certo que ninguém vai querer usar o google translate na documentação pra ler e por melhor que ela seja, tende a não se popularizar.

E agora me responda com sinceridade, você usaria? Da minha parte a resposta é não. Toda vez que eu cai em um repositório no GitHub em chinês, eu fechei a página e continuei procurando até achar algo em inglês.


Sabendo disso, fica fácil imaginar o motivo do discurso do começo do artigo, não é mesmo?

Ora, se eu quero estar apto a consumir todo e qualquer tipo de conteúdo direto da fonte, faz sentido eu aprender antes, não é mesmo?

Faz, jovem, mas em partes. Eu acredito que há algumas falácias e pontos falhos nessa lógica e eu vou tentar construir meus argumentos.


Aprender outro Idioma

Você já parou pra pensar como é difícil aprender um novo idioma? Talvez pra você que estuda inglês de criança, seja difícil de imaginar que alguém nessa vida tenha dificuldade de entender a frase: “What is your name?” (qual é o seu nome).

Mas E SE eu te mostrar a frase “Hoe heet je?”, você faz ideia do que está escrito? É a mesma pergunta, mas em Holandês.

E então você pode argumentar:

Ah Raul, mas aí você está sendo falacioso, pois o holandês a gente não vê em todo lugar, já o inglês, sim.

Então, concordo em partes.

Quando eu digo isso, eu tento pensar em todo o tipo de publico. Com muita educação, pouca educação, muita idade, pouca idade.

E isso porque é uma frase bem básica, se a gente começa a escalar o nível de dificuldade, e nem precisa ir muito longe, como por exemplo, um texto simples, se a pessoa tiver 0 (zero) domínio, ela não conseguirá entender absolutamente nada.

Faça um teste. Pegue uma língua nova, diferente, e tente aprende-la. A menos que você tenha habilidades em aprendizado de línguas, eu tenho certeza que será uma missão bem difícil.

Resumindo, aprender um novo idioma é uma tarefa que demanda muito esforço e que não tem fim, todo dia é um novo aprendizado, uma nova palavra que você aprende, um entendimento que finalmente você consegue consolidar.

Sabendo disso, me responda honestamente: Faz algum sentido alguém que quer ser programador, simples NÃO ESTUDAR PROGRAMAÇÃO e focar em aprender inglês?

Me desculpe se você disse sim, mas me parece uma decisão estúpida.

A gente precisa parar de achar que o mundo é binário, 0 ou 1, afinal, se você já estudou matemática alguma vez na vida, já deve ter aprendido que entre 0 e 1, existem outros infinitos números.


Mas, saber inglês, faz mesmo diferença?

Sim jovem, faz muita diferença. E não é só pra sua carreira não, é pra sua vida.

Quando entrar nos atos em que eu conto a minha vida aqui na Holanda, falarei bem mais sobre esse tema, por hora, pause a leitura e assista esse vídeo (sério, faça isso) e você vai ter uma explicação mais profissional dos motivos:

(Se tiver algum erro pra carregar o vídeo ou quiser abrir no YouTube, clica aqui. Obs.: tem legenda em português.)

Saber um inglês (o idioma que é conhecido como “universal” por ser difundido em vários países), é conseguir se conectar com o diferente, com outras culturas, aprender outras formas de pensar, agir, você se expande de uma forma que infelizmente em palavras é impossível transmitir essa sensação.

No que se refere a minha experiencia pessoal, falar inglês me permitiu conhecer e conversar pessoas da Coreia do Norte, do Sul, da China, da Polônia, Hungria, Estônia, Austrália, Itália, França e vários outros países e cada uma em particular me ensinou algo novo sobre o mundo.

Cada pessoa de outro país com que eu conversei/converso, me mostrou uma realidade, um mundo, formas de pensar, que infelizmente vocês que não tiveram esse privilégio não conseguem nem imaginar.


Beleza já sei que é importante, mas eu consigo ser um programador sem saber inglês?

Resposta curta: Sim! Você consegue!

Eu conheço e conheci vários exímios programadores que não tem domínio do do idioma.

Então SIM, você CONSEGUE iniciar e continuar na área de desenvolvimento/Tecnologia em geral sem saber inglês. Ele não é e não deveria ser pré requisito.

Antes da internet como conhecemos hoje, era muito mais difícil de consumir conteúdo novo e de qualidade em português.

Ainda hoje precisamos às vezes esperar a boa vontade/vontade de editores, pessoas que ajudam a comunidade para traduzir algo e etc., mas esse processo é bem mais rápido do que há anos atrás.

E por favor, não caia naquele discurso que só são boas quando vêm de fora. Esse tipo de pensamento faz parte da nossa síndrome do vira-lata, que acredita que tudo no Brasil é ruim e somente as coisas de fora são boas.

Hoje eu falo inglês e eu posso te garantir, tem muito conteúdo EXCELENTE em português. Muitas vezes eu queria recomendar um curso em português pra algum colega de trabalho, porque de todos que eu vi/fiz, eu sei que aquele em específico vai ajudar muito, mas a barreira da língua o impende de consumir.

Outra coisa é que os posts que saem da comunidade Brazuca estão cada vez mais complexos e com mais qualidade.

Qualquer que seja o assunto que você queira aprender, pode ter certeza que vai ter algum brasileiro ensinando!

Falando sobre posts, a TC mesmo é uma iniciativa que visa ajudar a comunidade com artigos de vários autores diferentes, sobre conteúdos do básico ao avançado, de hard skill à soft skill e ela nem é a única.

O iMaster tem a mesma dinâmica, o Tableless, e fora outras que nem conheço, mas com certeza devem existir e ter muito conteúdo.

Ah Raul, então estou livre do inglês? 😀😀

Não, vamos com calma. Antes de você tirar suas conclusões, quero trazer um momento filosófico.

Pare alguns minutos e se faça a seguinte pergunta:

Quais são as minhas ambições e o que eu quero pro meu futuro? Onde eu quero chegar?

Dependendo da sua resposta, inglês SERÁ um pré-requisito ou até mesmo um diferencial.

Vou tentar trazer alguns exemplos da vida real pra mostrar o porque estou falando isso.


Exemplos reais

Pra entender melhor o que eu quero dizer, vou te contar uma história e te mostrar uma possibilidade em que ambos os casos, falar/saber inglês seria essencial.

Startup americana no Brasil

Um grande amigo meu (abraço Silvio) trabalha em uma startup americana chamada CraveFood Systems, e por incrível que pareça, a sede deles no Brasil é na minha cidade natal, Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

Só contextualizando sobre a cidade e o setor de TI, Ribeirão Preto é uma cidade muito tranquila de se morar. Custo de vida alto por não ser capital e nem perto de uma, mas é uma cidade OK.

O problema é que as empresas de desenvolvimento (salvo algumas exceções) estão paradas no tempo. Lembro quando estava procurando trabalho lá há 2 anos, eu já estava estudando frameworks Javascript e via a galera falando de “Contrata-se desenvolvedor web (PHP+MYSQL)”. Amigos da faculdade indo trabalhar em empresa em 2015 que usavam Dreamweaver pra criar os sites. A realidade lá é bem triste se você quer trabalhar com coisas novas (ou era).

Agora vamos pensar. Você está morando em Ribeirão e quer trabalhar com React por exemplo, coisas modernas, componentes, facilidade. Aí descobre que tem a CraveFood e se candidata pra trabalhar lá. Você acha que você saber inglês não vai contar como ponto positivo?

Até onde o Silvio me conta, às vezes eles tem reuniões via Skype com o pessoal da sede pra apresentação de resultado, alinhamento e etc.. e adivinhe só, as reuniões são em inglês!

Lá, você pode ter a possibilidade de ir pros EUA e ir visitar a sede. E aí? Vai fazer o que sem inglês?

Entende o meu ponto?

Ah Raul, mas daí eu começo a estudar…

Você vai escolher mesmo ser reativo ao invés de ser proativo? É sério? Esteja pronto para as oportunidades, caso contrário, você irá perdê-las.

Trabalhando remoto pra fora

Vamos imaginar o seguinte, você já é um(a) desenvolvedor(a) experiente. Consegue montar seus projetos e entrega-los. Sabemos que a economia do Brasil está uma grande bosta.

Nós pessoas desenvolvedoras temos o privilégio de trabalhar com algo que pode ser feito remoto e que a gente fala a mesma língua, independente do lugar.

Cansado de ganhar em reais, você quer começar a fazer uns freelas ou até mesmo pegar um job full-time e remoto pra outro país.

Me conta, como você vai fazer isso sem inglês?

No dia que eu escrevo esse artigo, a cotação do euro pelo TransferWise (plataforma de transferência cambial entre países) está R\$4.51. Você tem noção de que se você cobrar 20 euros pela sua hora de trabalho, que diga-se de passagem é um valor/hora baixo aqui na europa, você tira 90 reais POR HORA?

Me diz, amigo(a) desenvolvedor(a), onde no brasil você vai ganhar 90 reais/hora com um conhecimento mediano? A galera que ganha isso aí é Senior, manja muito e as vezes tem muitos anos de experiência (lembrando que anos de experiência e senerioridade não são diretamente proporcionais).

Há uns meses atrás peguei um freela pra fazer. A galera que me contratou perguntou se eu não conhecia outros desenvolvedores pra me ajudar com mão de obra. Até tinha o pessoal do meu trampo, mas eu gosto de ajudar a cena brazuca.

O que me deixou triste, é que me veio poucas pessoas em mente no qual tivesse o domínio suficiente do idioma pra conseguir codar em inglês e entender o contexto.

Claro, eu poderia fazer o meio de campo, mas queria estar fora da negociação.

Chamei um amigo meu que mora no Brasil (abraço Sérgio) pra me ajudar com o projeto. Apesar do inglês dele não ser avançado, foi o suficiente para ele trocar mensagens com o dono do projeto, alinhar algumas ideias e negociar o quanto a implementação da feature ia custar. No fim, 10 horas de trabalho, 200 euros. Acho que valeu a pena, valeu não?


Mas final, ter inglês ainda é um diferencial?

Há alguns anos atrás muito se falava que saber inglês seria um grande diferencial para critério de desempate entre funcionários com a mesma proficiência.

Quando estava fora da área de TI ouvia muitas histórias de empresas que queriam contratar profissionais fluentes no idioma, mesmo que ele não soubesse exercer a função, porque pra ela seria mais barato e mais rápido treinar alguém pro cargo do que pro idioma.

“Por que ainda não somos fluentes em inglês? - Exame”

Talvez pra área de TI não seja um divisor de águas tão incrível, mas se apenas 5% das pessoas no Brasil domina a língua, na minha humilde opinião, sabe-lo, te coloca em uma posição de destaque sem dúvidas, afinal, uma pessoa desenvolvedora que consegue ler as documentações oficiais, as respostas em inglês do stack overflow e os blogs técnicos em inglês que saem em MASSA a cada hora, consegue se virar muito mais fácil do que uma que fica limitada às coisas em português.

Então resumindo, duas pessoas com as mesmas skills sets tecnológicas, com o mesmo perfil, dependendo da empresa, o inglês pode ser o critério de desempate tranquilamente.


Resumindo a opera

Voltando no questionamento inicial do texto:

“Quero ser um(a) desenvolvedor(a), preciso começar a estudar inglês pra só quando eu estiver fluente, começar a estudar programação?”

NÃO! Toque as coisas paralelamente.

Novamente, um novo idioma não vem de uma hora pra outra, exige estudos diários durante anos, dedicação e prática.

Quando for montar sua agenda de estudos, encaixa pelo menos meia horinha diários de estudo no idioma. Parece pouco, mas quando começar a fazer, vai ver que é um tempo legal até.


Dicas

Eu preciso ser sincero, não sou a melhor pessoa pra dar dicas de como estudar inglês pelo simples fato de eu não ser a pessoa de aprender línguas. Entretanto, eu tenho algumas dicas que acredito ser de grande valia quando se está aprendendo um novo idioma.

Lembre-se, são dicas de como dar uma melhorada e continuar. Se você quer realmente estudar gramática e coisas a fundo, recomendo fortemente você se matricular em um curso de inglês para adultos, aulas particulares, enfim, ter alguém pra te guiar nessa trilha de estudos.

Esses dias assisti um vídeo de um cara contando como foi os resultados dele estudando inglês sozinho, me deu pena. Em 1 ano ele teve uma evolução muito pequena para o que potencialmente se tem estudando com uma pessoa te orientando.

Eu não sei do background dele, pode ser que ele não tenha condições, o que valida todo o esforço dele, mas reforço, se você tiver o privilégio de pagar um curso legal, pague. Como já falei nos meus textos anteriores, vale cada centavo.

Chega de papo furado, vamos às dicas.

Coding Time

Mensagens de Commit

Essa é uma dica pra quem já consegue pelo menos escrever (mesmo que errado).

Se force a escrever seus commits em inglês.

E se você é do tipo que commit: “corrigido erros”, pelo amor né? hahahaha #commitsDescritivos please.

Primeiro que mensagens descritivas nos commits ajudam às outras pessoas entenderem o que foi feito sem ter que ler seu código (ou em alguns casos o que você tentou fazer).

Segundo que se um dia você trabalhar com alguém de outro país ou for chamado pra trabalhar um projeto fora, você já estará preparado. Que foi o que aconteceu comigo.

Depois de ter assistido alguma palestra/vídeo falando sobre isso, eu comecei a escrever meus commits em inglês e quando eu vim trabalhar na Holanda, eu já tinha 2 anos de prática nisso.

Haverão erros gramaticais não tenha dúvidas disso. Se a gente escreve errado até em português, porque você acha que em inglês precisa ser perfeito e impecável?

Apenas tente escrever um commit que seja descritivo suficiente em inglês, garanto que vai ser útil e quando você pegar, nunca mais voltará (exceto para um repositório onde a convenção é commitar em português =/ )

Documentação

A mesma regra citada acima vale pra documentação, escreve seu README, seu CONTRIBUTING, suas ISSUES, TUDO… EM… INGLÊS.

Se você quer ser visto pelo mundo (por mais que não seja) as coisas precisam estar em nossa língua universal.

E acima de tudo, lembre-se, se você aplicar pra uma vaga de fora, vão olhar seu Github. Pontos positivos se a pessoa da empresa conseguir ler o seu projeto! :)

Coding

Na minha cabeça é o mais óbvio, mas depois de alguns minutos de reflexão e lembrar da época de faculdade, conclui que não é tão óbvio assim.

As mesmas regras citadas acima servem para o momento de codar. As linguagens de programação já são em inglês, porque diabos você quer enfiar português no meio?

Na minha cabeça, uma variável chamada ehValido é errado de tantas maneiras diferentes… a nossa língua usa acentuação para fazer sentido. Tudo que a gente for escrever e não tiver, fica ou estranho de ler ou gambiarrento.

Não faz mais sentido usar isValid?

A regra também vale para os comentários. Se você realmente precisar comentar o seu código, tente escrever em inglês. Não sabe? Escreve como você acha que é, traduza ela no google tradutor e veja se ela faz sentido.

Novamente, não precisa ser perfeito, precisa ser em inglês!

Dia-a-Dia

Tudo em inglês

Parece uma dica muito óbvia, mas eu conheço muita gente que não faz. Coloque TUDO o que for possível em inglês. Celular, computador, email, redes sociais, navegador, serviços, TUDO. Você precisa sentir familiaridade com a língua.

Talvez se você tenha 0 (zero) conhecimento isso vai ser bem difícil no começo, porém, com o tempo você começa associar as ações ao texto, por exemplo:

Se eu clicar nesse botão escrito “shutdown”, eu desligo meu PC, logo, shutdown deve ser desligar.

Filmes dublados e legendas

Existe uma pesquisa realizada pela Netflix onde diz que boa parte da população brasileira prefere assistir filmes dublados. Se você é um deles e quer melhorar/praticar inglês, sugiro repensar este hábito.

Deixando de lado minha opinião pessoal de que isso é um crime contra a obra produzida, você perde a parte da prática do seu ouvido, do seu listening.

Assistir em inglês com legenda em português para estudar inglês não é a melhor opção, mas já ajuda, caso você seja iniciante. Se você já for mais intermediário, se arrisque em Inglês/legendas em inglês.

Vai ser complicado no começo, afinal, mudar qualquer hábito é complicado mesmo, mas depois que pegar o jeito, só terá benefícios.

Estudos

Repetição Espaçada

Essa é uma técnica que pode ser usada para memorizar/aprender qualquer coisa, sério, QUALQUER COISA.

Existe todo um estudo sobre como nossa memorização funciona e etc.. É sabido que temos dois tipos de memórias, a de curto prazo e a de longo prazo.

Tudo que a gente vê no dia a dia, aprende, sente, vai pra memória de curto prazo. Quando estamos dormindo, nosso cérebro joga algumas informações que ele considera que são relevantes para a de longo prazo e descarta o resto.

Efeito também conhecido no meio da programação por Garbage Collector.

Só que não é porque o seu cérebro conseguiu reter uma determinada informação, que você está livre do esquecimento da mesma. E é aí que a repetição espaçada entra.

A técnica consiste em você revisar aquilo que aprendeu periodicamente, por exemplo, vamos imaginar que hoje você fez uma aula de Javascript e você viu sobre o método Array.map.

Você fez alguns exemplos e entendeu o conceito, massa. Amanhã provavelmente você vai lembrar ainda. Dois dias depois, você provavelmente se lembra, mas algum pedaço já não estará tão claro… 4 dias depois você já esqueceu uma parte fundamental.. e assim vai.

Então, a técnica define que dependendo da sua facilidade com o tema ou não, você revise diariamente, a cada dois, três, quatro dias, 1 semana, 1 mês, não importa, você precisa revisar até você realmente fixar aquilo.

Abaixo você consegue ver um gráfico que mostra exatamente esse comportamento:

Repetição espaçada

Ainda sobre esse assunto, sugiro você assistir o vídeo da Arata Academy sobre isso e procurar artigos a respeito, vale muito a pena:

Lembrando que essa técnica não serve só para estudar inglês. Ela pode ser aplicada em qualquer área de estudo.

Flashcard

O flashcard é uma das técnica usadas para justamente aplicar as repetições espaçadas.

Ele funciona como se fosse um jogo, onde você escreve uma pergunta sobre determinado assunto na frente e atrás sua resposta. Vamos ver um exemplo prático:

Sabemos que não existe lógica e nem regra para os verbos irregulares em inglês. Esse é aquele tipo de coisa que você precisa decorar.

Assim, você pega aquela lista gigante e seleciona uns 10 verbos para memorizar.

Na frente do cartão, você vai escrever algo assim: “Past Participle of eat”. E nas costas do cartão, você escreve a resposta correta: “eaten”.

Quando você for “jogar” o flashcard, você vai pegar esse cartão, ler a pergunta e tentar responder. Caso tenha acertado mas foi difícil, ele vai para uma pilha de “revisar amanhã” por exemplo, caso tenha sido fácil, ele vai para uma pilha “revisar daqui 2 dias”.

Quando essa técnica surgiu, as pessoas não tinham toda tecnologia que a gente tem hoje, então, os cartões eram físicos e eles eram guardados em caixas, onde:

  1. A primeira caixa são das coisas que você ainda não sabe
  2. A segunda caixa são das coisas que você sabe, mas ainda não está tão fácil de responder
  3. A terceira caixa são dos cartões que você julga fácil já.

Entretanto, venhamos e convenhamos que isso é muito rudimentar.

Além de que você não consegue carregar um baralho gigante de cartões, essas caixas e etc.. E é por isso que hoje há vários apps que ajudam a gente com isso.

Existe um app de flashcard open-source chamado Anki. Apesar de não ser o aplicativo mais bonito e/ou mais intuitivo, o mecanismo dele e a forma com que ele funciona é muito boa.

Sabe aquele negócio de revisar os cartões a cada X dias? Ele calcula pra você conforme você erra/acerta.

Além disso, ele possui uma versão para TODAS as plataformas (windows/mac/linux/android/iOS/web). Assim, você cria uma conta na plataforma web, loga ela nas outras plataformas e todo seu progresso e cartões são compartilhados.

Quando eu fui estudar inglês na Irlanda, eu aprendia vocabulário novo TODO santo dia. Então minha rotina era, acordar, abrir o app e fazer uns 100 cartões, me arrumar, ir pra aula, chegar em casa, escrever os novos cartões e antes de dormir, fazer mais alguns.

Foi um momento que eu consegui subir MUITO a quantidade de palavras que eu conhecia. Confesso que dava trabalho criar os cartões, mas no fim, pagou-se muito bem.

Abaixo você encontra um tutorial de como baixar/usar o Anki:

“Como instalar e usar o Anki – Tutorial completo” - Mairo Vergara

Além dele, existem vários outros apps grátis/pagos que tem essa mesma funcionalidade:

Independente de qual aplicativo você escolher, o conceito dos cartões e do estudo por repetição espaçada será sempre o mesmo. O mais importante aqui é a sua resiliência em estudar os cartões.

Fontes de estudo

Pra fechar, vou deixar alguns lugares que você pode entrar de inglês para você aprender um pouco mais aqueles temas que são mais densos e complexos ou que você ainda não entendeu muito bem:

Fazendo uma pausa na lista para fazer um breve comentário, você já ouviu alguém falar: “Ah, eu aprendi inglês ouvindo música…”? Então, existe um site que o objetivo é deixar isso mais dinâmico e trazer uma certa gamification que é o LyricTraining.com.

Ele utiliza os vídeos disponíveis no YouTube de musicas e com letras para você completar. Então, dependendo do nível, tem um número de palavras em branco para você preencher baseado no que você ouviu.

Eu usei ele muito quando estava na Irlanda e digo que me ajudou bastante, principalmente que às vezes eu parava pra ler a letra inteira de uma música que eu gostava e talz, e isso é muito doido.

Se você vai aprender inglês só com ele? Eu acho que não, porém, taí um bom exercício pra você treinar o seu listening! :)

Apps

Eu não sou um grande fã de apps. Na verdade tenho preguiça de instalar apps no celular e principalmente de ficar usando diariamente, porém, tem dois apps que eu acho que valem menção:

Duolingo

Esse é velho já e acho que quase tudo mundo sabe da sua existência. É um jogo para você aprender idiomas, onde em cada nível você aprende algo novo e precisa responder perguntas para testar os seus conhecimentos. Tem tanto pra mobile quanto pra Web.

Uma coisa que eu posso te garantir é que ele não vai te deixar fluente no idioma, porém, vai dar o pontapé inicial para te deixar familiar à língua, o que já é meio caminho andado.

Memrise

Essa plataforma eu descobri há pouquíssimo tempo. Com uma proposta bem parecida com o Duolingo, o Memrise trás um ambiente para você aprender idiomas de uma forma bem dinâmica.

Diferente do Duolingo, o foco do Memrise é fazer os jogos pra você aprender as palavras, mas, aplicar o Flashcard, ou seja, se você aprende a palavra X, amanhã vai precisar revisa-la e etc.

O Duolingo tem Tinycards que salvo engano faz um integração com a sua conta e talz, gerando os cartões das coisas que você estudou, mas são dois apps separados.

O ponto ruim é que até onde eu vi, apesar de você poder se cadastrar grátis e comer um curso, pra você subir para os próximos níveis você precisa ser assinante.

Não sei o preço no Brasil, mas aqui na europa isso custa 50 euros por ano, o que eu acho que é um preço justo pela qualidade do App.


Conclusão

Depois deste post imenso, espero ter conseguido contribuir com meus 2 centavos e ter te ajudado de alguma forma.

Apesar de não ser obrigatório sabe-lo para atuar na área, sua vida vai se mudar muito quando tu conseguir ir em um evento em outro país, seguir pessoas de fora no Twitter e etc.

Eu por exemplo sigo o Dan Abramov (co-autor do Redux e do create-react-app) no Twitter e ele posta VÁRIAS discussões, dicas sobre React. O valor disso é imensurável.

Se dedique agora, por mais esforço que demande que eu te garanto que no final, todo seu esforço vai ter valido a pena.

Dica do Tio He-Man.